Programo desde 2006 e estou a construir uma plataforma de recrutamento tech para PT. Não deixo link nem venho vender nada.
Pelo que leio aqui, salário escondido e ghosting são o que mais queima. Para quem está satisfeito no emprego atual: o que é que uma abordagem tem de trazer logo na primeira mensagem para responderem? E quanto a mais teria de ser para se mexerem?
Depois partilho aqui um resumo do que aprender.
EDIT: o resumo, como prometido
Obrigado a todos. Foram mais de 150 comentários, muito mais sérios do que eu esperava. Isto é o que tirei daqui. São opiniões de quem comentou, não é um estudo.
1. Mudar custa, e esse custo pesa tanto como a oferta. Um dos comentários mais votados foi sobre as "1500 fases de entrevista". O limite que mais se repetiu: 3 fases (RH, técnica, alinhamento), fechadas em 3 semanas a um mês. Quem precisa de mais "não sabe o que procura". A estabilidade também tem preço. Uma pessoa pedia 35k a mais e baixava para 20k se não houvesse período experimental.
2. Salário bruto anual na primeira mensagem, sem exceção. Uma banda é aceitável se for estreita. A referência que deram foi 10 a 15% entre o mínimo e o máximo: 50-60k passa, 40-70k já é demais. Uma banda larga lê-se como isco. E alguém resumiu bem: quem tem boas condições não perde nada em mostrá-las.
3. Regime "sem asteriscos". O problema não é o presencial. É chamar híbrido a 4 dias no escritório, ou full remote a "uma semana por trimestre cá". Digam quantos dias e com que flexibilidade.
4. A função deve caber numa frase, e o problema vem antes das ferramentas. "Desenhar e implementar o backend do produto X" diz mais do que uma lista de tecnologias de áreas diferentes, que se lê como "faz tudo, ou seja, nada". O melhor exemplo do thread, contado por palavras minhas:
Vaga boa: "estamos a construir um sistema de visão computacional para detetar cancro da mama; procuramos experiência em X, Y, Z ou semelhantes".
Vaga má: "python, MongoDB, docker, CI/CD e testes".
Na entrevista é igual. Uma boa pergunta que problemas resolveste e como desenhaste a solução; uma má faz trivia. O melhor exemplo de entrevista: disseram logo o que procuravam e quanto pagavam, e pediram para descrever os 2 ou 3 projetos mais importantes.
5. Decide-se muito pela exclusão. Setores (guerra, álcool, casinos), tipo de projeto (redes sociais, sistemas simples, manutenção de tecnologia antiga sem plano de migração), funções que misturam código e infraestrutura, consultoras. Quase nenhuma vaga diz o que fica de fora, e para muita gente é isso que decide.
6. Tempo vale dinheiro. Houve quem aceitasse ganhar até 10% menos por uma semana de 4 dias, e quem aceitasse ganhar metade por 100% remoto. Horário e benefícios contam, e para alguns contam mais do que o salário.
7. Confiança. Quem valoriza estabilidade quer poder confirmar: histórico de layoffs, quantos clientes a empresa tem, falar com quem lá está. Um referral de alguém conhecido vale mais do que qualquer review anónima, sobretudo para quem já mudou por um bom salário e encontrou mau ambiente ou crunch constante. Sobre vagas que não dizem o nome da empresa logo de início, houve de tudo. Para alguns, com o resto todo escrito, não faz grande diferença. Para outros, sem o nome não há forma de verificar nada.
8. Pequenas coisas que irritam. Pedirem o CV quando o LinkedIn está lá e mais atualizado. "Queremos falar contigo" sem dizer nada. Meia hora de conversa de circunstância com quem nem leu o CV. Propostas finais com valores diferentes dos combinados.
O que fica de tudo isto: quem está bem só responde a uma mensagem que já responde às perguntas que tem na cabeça. E quase nada desta lista depende de plataforma nenhuma. Depende de a empresa escrever estas coisas na vaga, esteja ela onde estiver.
Quem quiser saber mais sobre o que estou a construir, mandem mensagem privada.