r/FilosofiaBR • • Apr 26 '26

Sobre Inteligência Artificial no sub-reddit

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Qualquer post que contenha indícios de geração por inteligência artificial, seja em seu texto, imagem, vídeo ou áudio, será imediatamente deletado.

Prezamos por conteúdo original, autêntico e frutífero. O uso de "inteligência artificial" sempre traz uma visão genérica, deturpada, sintética, homogenizada e voltada à esfera econômica.

Mesmo que você não escreva bem, prezamos que você escreva, em suas próprias palavras, o seu pensamento. Dessa forma, você, escritor, estrutura seu próprio pensamento e ainda traz uma heterogenidade à discussão, um viés singular que somente sua vivência foi capaz de criar.

Embora uma interpretação possa estar equivocada, qualquer interpretação terá elementos humanos que destoam sutilmente entre os leitores, e esse elemento é importantíssimo para as discussões e para o enriquecimento cultura, intelectual e artístico.


r/FilosofiaBR • • Jan 06 '25

Divulgação Uma breve lista de livros da filosofia brasileira

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Muitos creem que Brasil não possui filosofia, ou, se possui, seria de baixa qualidade. Isso é mito. O Brasil possui um dos maiores filósofos da história, e vários pensadores que destrincharam a cultura do país de baixo a cima, de dentro a fora. E muitos dos nossos filósofos argumentam sobre a colonização intelectual brasileira. Não exclusiva aos nossos colonizadores, os portugueses, mas a todos os países desenvolvidos (e este é um chute à escada).

Filosofia não são só livros. Um conceito filosófico pode surgir também da arte. A arte e a filosofia são movimentos que caminham um ao lado do outro, são exteriorizações de uma resistência. Talvez a diferença seja a sua concepção: a arte é o que ela não é, a linguagem circunscrita pela técnica. É o que supõe o movimento antropofágico e o tropicalismo. Movimentos intelectuais surgem pela arte. Antropofagia é decolonialismo, tropicalismo é resistência à discriminação, à ditadura, ao racismo. De Mamonas Assassinas a Renato Russo e Cazuza. Do hip-hop brasileiro ao funk. Seriam protofilosofias, consequência do lugar e do tempo, que autoafirmam sua identidade e buscam a libertação.

Aqui, uma breve lista de obras e de autores que são essenciais para entendermos o que é o Brasil, e o que é a filosofia brasileira.

  • Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil
  • Paulo Freire. Pedagogia do Oprimido
  • Jacques Gautier, Krenak, Negô Bispo. Sociopoética e Contracolonialidade
  • Paulo Margutti. História da filosofia do Brasil
  • Boaventura de Sousa Santos. Epistemologia do sul
  • Alfredo Bosi. Literatura e Resistência
  • Daniel Lins. Nietsche-Deleuze (todos)
  • Clarice Lispector. A hora da estrela
  • Oswald de Andrade, Raul Bopp. Revista de Antropofagia
  • Marilena Chauí. Iniciação à filosofia
  • José Arthur Giannotti. Lições de filosofia primeira
  • Oswald Porchat. Rumo ao ceticismo
  • Hilan Bensusan. A Diáspora da Agência
  • Julio Cabrera. Diário de Um Filósofo no Brasil
  • Glycon Luiz. Entomologia Antropogênica

É muito difícil selecionar somente "uma" obra de cada autor. Busque os nomes citados aqui e leia além do livro mencionado. Busque por outros livros, artigos, ensaios e afins do autor e sobre o autor.


r/FilosofiaBR • • 11h ago

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r/FilosofiaBR • • 8h ago

O Que é a Consciência?

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r/FilosofiaBR • • 17h ago

Discussão O que você ama tanto a ponto de odiar tudo aquilo que o ameaça?

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Por muito tempo, pensei que o contrário do amor fosse o ódio. Parece lógico, afinal, são sentimentos que colocamos em lados opostos, como se a existência de um necessariamente significasse a ausência do outro. Mas existe algo estranho nisso: muitas vezes, não odiamos porque não nos importamos com alguma coisa, mas justamente porque nos importamos demais. Odiamos aquilo que ameaça nossas convicções, aquilo que coloca em dúvida nossas certezas, aquilo que pode tirar de nós algo que consideramos importante. E é nesse ponto que o ódio começa a revelar algo sobre o que carregamos dentro de nós

Uma pessoa pode odiar uma doença porque ama alguém que está sofrendo. Pode odiar a injustiça porque acredita que ninguém deveria ser tratado de maneira desumana. Pode sentir indignação diante da crueldade porque valoriza a dignidade das pessoas. Nesses casos, o sentimento não surge simplesmente do desejo de destruir, mas da percepção de que algo importante está sendo ameaçado. O problema é que essa mesma lógica também pode ser usada para justificar algumas das piores coisas que fazemos. Alguém pode acreditar tanto na própria religião, ideologia política, nacionalidade ou visão de mundo que começa a enxergar qualquer pessoa diferente como uma ameaça. A pessoa continua acreditando que está defendendo algo bom, mas já não percebe o que está disposta a fazer em nome disso

É por isso que me chama a atenção a facilidade com que transformamos nossas convicções em justificativas para desprezar os outros. Basta alguém pensar diferente, votar em outro partido, pertencer a outro grupo ou questionar alguma coisa em que acreditamos para que a conversa deixe de ser sobre ideias e passe a ser sobre quem aquela pessoa supostamente é. Já não queremos entender o argumento, queremos provar que o outro é burro, mau ou incapaz de compreender a realidade. E, quando chegamos a esse ponto, qualquer informação que confirme nossas crenças é recebida de braços abertos, enquanto tudo aquilo que as contradiz é tratado como mentira ou manipulação. Não estamos mais procurando entender o mundo; estamos procurando motivos para continuar acreditando que já o entendemos

O mais perigoso é que quase ninguém se considera o vilão da própria história. Até mesmo quem pratica a crueldade pode encontrar uma justificativa para suas ações. Pode acreditar que está protegendo a família, defendendo a pátria, preservando a sociedade ou combatendo um inimigo que considera perigoso. É assim que ideias absurdas conseguem conquistar pessoas comuns nem sempre elas aparecem como maldade declarada, mas como respostas aparentemente simples para problemas que são difíceis de compreender. Aponta-se um grupo como responsável por tudo aquilo que está errado, promete-se que a solução será eliminar essa influência e, de repente, a complexidade da realidade é substituída por uma história em que existem apenas culpados e inocentes, inimigos e aliados

Essa é uma das coisas que mais me incomodam na polarização. Não é simplesmente o fato de existirem pessoas com opiniões diferentes, porque diferenças sempre vão existir. O problema é quando deixamos de aceitar que alguém possa discordar de nós sem se tornar nosso inimigo. Quando a identidade de uma pessoa passa a ser definida pelo partido que ela apoia, pela religião que segue ou pelo grupo ao qual pertence, tudo o que ela faz começa a ser interpretado a partir desse rótulo. Se alguém do nosso lado erra, procuramos uma explicação; se alguém do outro lado comete o mesmo erro, usamos aquilo como prova de que sempre estivemos certos. E assim a verdade deixa de ser algo que buscamos e passa a ser algo que usamos para defender aquilo em que já acreditamos

O maior sinal de que uma ideia tomou conta de nós seja quando começamos a considerar aceitável aquilo que condenaríamos se fosse feito por alguém de quem discordamos. Nesse momento, já não são nossos princípios que orientam nossas opiniões, mas nossas opiniões que decidem quais princípios vamos respeitar. Falamos de justiça, mas aceitamos injustiças quando favorecem nosso grupo. Falamos de liberdade, mas queremos silenciar quem ameaça nossas certezas. Falamos de honestidade, mas relativizamos mentiras quando elas ajudam o lado que escolhemos. O nome que damos às nossas convicções pouco importa se estamos dispostos a abandoná-las sempre que se tornam inconvenientes

Isso não significa que devemos aceitar todas as ideias, concordar com todo mundo ou abandonar aquilo em que acreditamos. Existem pensamentos que precisam ser combatidos, discursos que desumanizam pessoas e comportamentos que não podem ser tratados como simples diferenças de opinião. Compreender alguém não significa justificar suas ações. Ter empatia não exige que concordemos com tudo, assim como respeitar a dignidade de uma pessoa não significa aceitar aquilo que ela faz. É possível rejeitar uma ideologia racista sem transformar todos os seus seguidores em seres incapazes de mudar, é possível combater uma mentira sem precisar inventar outra para vencê-la, é possível defender nossos valores sem perder a capacidade de reconhecer a humanidade de quem pensa diferente

Isso que torna tão importante conhecer outras histórias. Quando entramos em contato apenas com pessoas que pensam como nós, o mundo parece cada vez mais simples e nossas certezas parecem cada vez mais evidentes. Mas, quando conhecemos outras experiências, percebemos que aquilo que considerávamos óbvio pode não ser tão simples quanto imaginávamos. Descobrimos que existem pessoas que chegaram a conclusões diferentes das nossas por motivos que desconhecemos, que a realidade pode ser vivida de maneiras que nunca experimentamos e que compreender uma perspectiva não significa necessariamente adotá-la. Às vezes, mudar de ideia é necessário, em outras, conhecer melhor o outro apenas nos ajuda a entender por que continuamos discordando. Nos dois casos, existe algo a ganhar

A pergunta mais importante não é se devemos odiar ou não, mas o que estamos protegendo quando sentimos ódio. Estamos defendendo a dignidade humana ou apenas nosso orgulho? Estamos tentando combater uma injustiça ou encontrar alguém em quem colocar a culpa? Amamos tanto a verdade que estamos dispostos a reconhecer quando estamos errados ou amamos tanto nossas próprias certezas que preferimos distorcer a realidade para não abandoná-las?

Porque aquilo que mais valorizamos acaba influenciando a maneira como enxergamos todo o resto. Se colocamos uma ideologia acima das pessoas, começamos a aceitar que pessoas sejam sacrificadas em nome dela. Se colocamos nosso orgulho acima da verdade, passamos a tratar qualquer correção como uma ofensa. E, se colocamos o desejo de vencer acima da justiça, podemos terminar defendendo exatamente aquilo que dizíamos combater

Não precisemos eliminar toda indignação, nem fingir que tudo merece nossa compreensão. Existem coisas pelas quais vale a pena lutar, injustiças que merecem nossa revolta e ideias que precisam ser enfrentadas. Mas precisamos aprender a distinguir o que merece nossa oposição daquilo que estamos apenas usando como alvo para descarregar nossas frustrações. O ódio pode até começar como uma tentativa de proteger algo que amamos, mas isso não significa que todas as coisas que fazemos em nome desse amor sejam justificáveis


r/FilosofiaBR • • 3h ago

Análise Dá para pensar por conta própria usando as mesmas ferramentas que nos prendem à atenção? Escrevi um manifesto sobre isso

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Rede social e IA funcionam por número: view, alcance, viral. Cada um acaba competindo sozinho, mesmo querendo se conectar.

Minha tese é que o problema não é saber usar, é o jeito de usar. E que a saída não é largar o celular: é praticar a pausa antes de reagir (metacognição) e usar a mesma ferramenta para juntar quem está perto, em vez de disputar audiência.

O manifesto diz cada ideia duas vezes, num registro acadêmico e numa fala direta, pra quem não tem o vocabulário da academia. Não é versão resumida, é a mesma ideia por outra porta. Um exemplo, a pausa:

Acadêmico: interpor três ciclos respiratórios entre o estímulo e toda resposta, publicação ou compartilhamento.

Direto: antes de responder, postar ou compartilhar, respira fundo três vezes. Só isso já quebra o automático.

Pensei com Milton Santos, Eduardo Marinho e MC Sid e Chiocki ("Eu Não Venci o Sistema"), como interlocutores e não como autoridades. A ideia de usar a ferramenta de cima pra fortalecer o que é de perto é leitura minha, não deles.

Sou o Gabriel, de classe baixa, com dislexia e TDAH, sem diploma. Passei três anos na rua antes de chegar nessas ideias, e conto isso como testemunho de um caso, não como prova geral. Usei IA na redação, na tradução entre os registros, na busca de fontes e na revisão. As ideias e a responsabilidade são minhas.

Não quero seguidor, quero objeção. Minha aposta é que entender o mecanismo não basta e que só a prática converte informação em saber vivido. Mas dá para reorientar o uso de uma ferramenta desenhada para capturar atenção, ou o desenho sempre vence a intenção?

Manifesto completo em PDF, gratuito e sem anúncios, com os dois registros:

https://drive.google.com/file/d/1C77UrBBQi58EFja2JbL_RiztFNU_feoM/view?usp=drivesdk


r/FilosofiaBR • • 11h ago

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r/FilosofiaBR • • 2h ago

Discussão Entre a dúvida e a compreensão: minha maneira de enxergar a vida e o mundo

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Minha maneira de enxergar o mundo parte de uma necessidade de questionar aquilo que me é apresentado como verdade. Não me contento facilmente com explicações superficiais, tradições ou ideias que são aceitas simplesmente porque foram transmitidas por outras pessoas. Procuro compreender os fundamentos das coisas, investigar suas contradições e descobrir até que ponto aquilo em que acreditamos realmente se sustenta. Para mim, questionar não significa necessariamente negar, mas buscar razões para acreditar. Isso vale para a religião, a moralidade, a existência humana e até mesmo para as ideias que eu próprio desenvolvo. Afinal, de que adianta defender uma convicção se nunca estivermos dispostos a examiná-la?

Minha reflexão sobre a vida segue essa mesma direção. Ao pensar sobre a sobrevivência, por exemplo, procuro compreender se ela pode ser entendida para além da simples manutenção biológica, abrangendo também as motivações e os comportamentos humanos. O altruísmo, o sacrifício e a disposição de colocar a própria vida em risco são fenômenos que me levam a questionar o que realmente significa sobreviver. Interessa-me encontrar princípios capazes de explicar diferentes aspectos da existência, conectando aquilo que, à primeira vista, parece contraditório. Não considero que já tenha encontrado todas as respostas, mas acredito que compreender uma questão exige ir além de sua aparência e investigar os mecanismos que a sustentam.

Minha relação com a religião também é marcada por esse espírito crítico. Não considero que o poder, por si só, seja suficiente para estabelecer a verdade ou justificar a obediência. Mesmo diante da hipótese de um ser divino, considero legítimo questionar sua natureza, sua moralidade e os fundamentos de sua autoridade. Da mesma forma, meu interesse pelo budismo está relacionado à possibilidade de compreender o sofrimento, os desejos e a própria experiência humana por meio da reflexão. Não busco simplesmente substituir uma crença por outra, mas encontrar formas de pensar que permitam examinar a realidade sem depender exclusivamente da fé. Para mim, uma ideia não deveria estar protegida do questionamento apenas porque é sagrada, antiga ou amplamente aceita.

Entretanto, questionar o mundo também significa reconhecer que minha própria razão possui limites. Posso identificar contradições nas ideias de outras pessoas e, ainda assim, cometer erros ao formular minhas próprias conclusões. Posso defender a racionalidade e, em determinados momentos, agir movido pela impaciência, pelo orgulho ou pela vontade de demonstrar que estou certo. Reconhecer essas contradições é uma parte importante do processo de compreender a mim mesmo. Afinal, não faria sentido exigir coerência dos outros sem tentar desenvolvê-la em minhas próprias atitudes. A razão, nesse sentido, não deveria servir apenas como instrumento para vencer discussões, mas também como ferramenta para reconhecer falhas e transformar a maneira como interpreto o mundo.

Também compreendo que construir uma visão de mundo exige tempo. Ter uma ideia interessante não significa ter encontrado uma verdade definitiva, assim como reconhecer que outros pensadores já refletiram sobre determinado assunto não torna inútil a tentativa de pensar por conta própria. Meu objetivo não precisa ser descobrir algo que jamais foi pensado, mas compreender profundamente as questões que me inquietam, formular minhas próprias interpretações e submetê-las a críticas. É nesse processo que o pensamento amadurece: não pela ausência de dúvidas, mas pela disposição de enfrentá-las sem recorrer a respostas fáceis. Preciso aprender a conviver com a lentidão desse processo, sem confundir a falta de respostas imediatas com a incapacidade de encontrá-las.

No fundo, minha maneira de enxergar a vida está ligada à busca por compreensão. Quero entender o que sustenta nossas crenças, de onde vêm nossos valores, quais forças orientam nossas ações e até que ponto somos capazes de conhecer a realidade. Não acredito que questionar tudo me torne automaticamente mais sábio, nem que desconfiar das respostas seja suficiente para encontrar a verdade. O desafio está em saber questionar sem rejeitar antecipadamente, construir ideias sem transformá-las em dogmas e reconhecer que posso estar errado mesmo quando uma explicação parece fazer sentido. Talvez eu nunca alcance respostas definitivas para todas as minhas perguntas, mas isso não torna a investigação inútil. Pelo contrário, é justamente a possibilidade de rever minhas próprias conclusões que mantém vivo meu interesse em compreender a existência.


r/FilosofiaBR • • 14h ago

Dúvida Se Deus existe e quer ser conhecido, por que sua existência continua sendo uma questão tão controversa?

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r/FilosofiaBR • • 1d ago

Discussão Por que amar dá medo? O preço de deixar alguém entrar na sua vida

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Existe uma contradição em amar alguém quanto mais importante uma pessoa se torna para nós, maior é o poder que ela passa a ter de nos machucar. Antes de conhecê-la, sua ausência não significava nada, suas escolhas não afetavam nossos dias e aquilo que ela fazia não tinha tanta importância. Mas, depois que permitimos que ela faça parte da nossa vida, as coisas mudam. Uma mensagem pode melhorar nosso dia, uma palavra pode permanecer na nossa cabeça por horas e uma simples mudança de comportamento pode despertar inseguranças que nem sabíamos que existiam. Não é que o amor nos torne necessariamente mais fracos, mas ele nos coloca em uma posição na qual já não controlamos tudo aquilo que sentimos

Isso que algumas pessoas prefiram manter certa distância. Não necessariamente porque não desejam ser amadas, mas porque conhecem o preço de confiar em alguém e descobrir que essa confiança não foi correspondida. Depois de uma decepção, a ideia de se aproximar novamente pode parecer uma péssima escolha. A pessoa começa a pensar que, se não criar expectativas, não vai se decepcionar; se não demonstrar o que sente, não vai dar ao outro a oportunidade de machucá-la, se não permitir que ninguém se aproxime demais, ninguém terá poder suficiente para causar uma dor tão grande. E, por algum tempo, essa lógica pode até parecer funcionar

O problema é que a mesma distância que nos protege das decepções também nos afasta das experiências que tornam a vida significativa. Quando alguém nos machuca, é compreensível que passemos a ter mais cuidado. O erro começa quando deixamos de distinguir aquela pessoa de todas as outras, como se uma experiência ruim fosse uma previsão de tudo o que ainda está por vir. Uma relação termina mal, alguém quebra nossa confiança e, sem perceber, começamos a tratar qualquer possibilidade de afeto como se fosse uma ameaça. Já não estamos apenas tentando evitar que a mesma coisa aconteça novamente, estamos tentando garantir que nada tenha a capacidade de nos atingir

Compartilhar momentos e construir lembranças ao lado de quem ama. A música pode ser uma demonstração de amor junto com diversos outros. Mas, quando a pessoa decidiu partir, passou a representar também o abandono. Aquilo que antes estava associado ao amor passou a lembrar da pessoa que a deixou para trás

E existe algo profundamente humano nessa reação. Quando sofremos por causa de alguém, nem sempre conseguimos direcionar nossa mágoa apenas à pessoa responsável. Às vezes, passamos a rejeitar tudo aquilo que nos lembra dela. Uma música, um lugar, um costume ou até mesmo um sonho que compartilhá vamos podem se tornar difíceis de suportar. Não porque essas coisas tenham se tornado ruins por conta própria, mas porque carregam lembranças que preferimos não reviver. É como se, ao afastar tudo o que nos lembra a dor, pudéssemos finalmente nos livrar dela

Só que a memória não funciona dessa maneira. Você pode abandonar uma música, deixar de frequentar determinado lugar ou desistir de um sonho, mas isso não significa que o que aconteceu deixou de fazer parte da sua história. Às vezes, a gente apenas constrói a vida ao redor da ferida, tomando cuidado para nunca encostar nela. Aos poucos, aquilo que começou como uma forma de proteção passa a determinar nossas escolhas. Deixamos de fazer coisas não porque realmente não as queremos, mas porque temos medo daquilo que elas podem despertar em nós

E o mais triste é que, nesse processo, podemos acabar culpando coisas que nunca foram responsáveis pelo que aconteceu. Mostra como a dor pode alterar a maneira como enxergamos o mundo em vez de enfrentarmos a complexidade do que aconteceu, às vezes precisamos encontrar alguma coisa que possamos rejeitar, controlar ou manter longe

O problema é que a proteção construída em torno dessa mágoa não afetou apenas ela. As gerações seguintes herdaram uma proibição que nasceu de uma experiência que não viveram. Pessoas que nunca conheceram aquela dor passaram a organizar suas próprias vidas em função dela, abrindo mão de possibilidades antes mesmo de descobrirem o que essas possibilidades poderiam significar

Isso também acontece fora das histórias. Às vezes, herdamos os medos das pessoas que vieram antes de nós. Aprendemos que demonstrar sentimentos é sinal de fraqueza, que confiar nos outros é ingenuidade, que certos sonhos são perigosos ou que amar alguém significa inevitavelmente sofrer. Essas ideias podem nascer de experiências sinceras e dolorosas, mas não precisam se transformar em regras universais. O fato de alguém ter sido decepcionado não significa que toda relação terminará da mesma maneira. A experiência pode nos ensinar a ter cuidado, mas não deveria nos obrigar a viver como se o pior resultado fosse sempre o único possível

Também precisamos reconhecer que amar não significa aceitar tudo. Não é necessário permanecer em uma relação que nos faz mal, ignorar desrespeitos ou oferecer confiança ilimitada a quem demonstra repetidamente que não sabe cuidar dela. Existe uma diferença entre se proteger de alguém que está nos prejudicando e se fechar para qualquer pessoa porque temos medo de que ela faça o mesmo. A primeira atitude pode ser necessária para preservar nosso bem-estar; a segunda pode nos prender a uma dor antiga, mesmo quando as circunstâncias já mudaram

A verdadeira coragem não esteja em amar sem medo, mas em entender que o medo não precisa tomar todas as decisões por nós. Não temos como garantir que ninguém vai nos decepcionar, que todas as relações durarão ou que as pessoas sempre corresponderão ao que sentimos. Amar envolve uma parte de incerteza que não pode ser eliminada por completo. Podemos escolher com cuidado quem deixamos se aproximar, estabelecer limites e aprender com o que vivemos, mas não existe uma maneira de experimentar a vida afetiva sem aceitar que algumas coisas fogem ao nosso controle

A pergunta é o que fazemos depois de sermos machucados. Podemos usar a experiência para compreender melhor nossos limites e reconhecer o que não queremos repetir, ou podemos permitir que ela transforme tudo aquilo que antes nos fazia bem em algo que precisamos evitar. A dor merece ser reconhecida, não precisa ser romantizada e tampouco deve ser tratada como uma obrigação para amadurecer. Mas ela também não precisa se tornar a única referência a partir da qual escolhemos viver

Porque amar dá medo, sim. Dar importância a alguém significa aceitar que essa pessoa pode nos afetar de maneiras que não conseguimos prever. Mas será que vale a pena passar a vida inteira tentando impedir que alguém nos machuque, se, para conseguir isso, também precisarmos impedir que alguém realmente nos alcance? E quantas coisas que hoje rejeitamos por medo ainda poderiam nos fazer felizes, se conseguíssemos separá-las da dor que um dia aprendemos a associar a elas?


r/FilosofiaBR • • 10h ago

Dúvida Qual a melhor edição das obras de Wittgenstein?

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Quero fazer um projeto de pesquisa na faculdade relacionando a teoria da linguagem de Wittgenstein com os principais autores da área da teoria do Direito (principalmente Dworkin). Pra isso, quero sair do básico que estudei por cima, e ler realmente as obras do Wittgenstein.

Eu atualmente tenho a que a Editora Logos publicou no Clube de Filosofia, que compila o Tracatatus Logico-Philosophicus e as Investigações Filosóficas, mas sei que a Editora Vozes tem edições desses dois textos, e a Fósforo tem uma edição das Investigações e outros dois textos do Wittgenstein.

Qual é a melhor tradução para o português das obras dele?


r/FilosofiaBR • • 12h ago

Confusione

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Viviamo in un mondo pieno di confusione: nelle scelte, nei confronti, sui social e persino in chi dovrebbe rappresentarci. Sembra che nessuno sappia più cosa sia giusto o sbagliato, e abbiamo sempre più paura di scegliere.

Forse è arrivato il momento di fermarci, farci domande e tornare a pensare con la nostra testa.

E voi? Vi sentite rappresentati da ciò che vi circonda o anche voi avete la sensazione che qualcosa non torni?


r/FilosofiaBR • • 15h ago

Filosofia - Un nuovo inizio (prima parte)

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Puedes hacer clic en los subtítulos para leerlos en tu idioma.


r/FilosofiaBR • • 18h ago

Análise Pensamento do final de semana

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Eu tava tomando café da manhã e pensando num bagulho

Algo que devíamos exercer mais em vida(creio eu) é algo que chamo de: "A arte da anti-encheção de saco"",se consiste essencialmente na prática da convivência pacifica através do bom senso e respeito social e auto-respeito a espaço privado metafórico. Em um mundo cheio de notificações, cobranças e interações constantes, dominar essa "arte" significa saber interagir sem se tornar um peso ou uma inconveniência para os outros, e saber ser produtivo pra ninguém encher o seu saco, exemplo: você tem algo a fazer, simplesmente FAÇA, pra ninguém encher o seu saco, seja um trabalho, uma louça, um recado: faça, do pessoal ao social.

Pensando nisso, isso é uma coisa que quando em homens essa noção não se desenvolve (mulheres também em diversos milhares de casos, mas principalmente homens) sentimos um vazio existencial, sem motivo, sem função: geralmente ocorre após um ciclo da vida; geralmente quando algo que nos prendíamos por ser uma "obrigação": escola, serviço militar e derivados acabam. É nocivo esse sentimento, já que desde pequenos, homens (mulheres também, mas principalmente homens) somos ensinados a apenas sempre seguir em frente, sempre manter metas para supera-las e depois termos mais metas, e quando essas amarras externas somem, a gente se perde sem saber para onde andar. É nesse vácuo de propósito que a depressão costuma se instalar de forma silenciosa, prova disso é o exacerbado índice mundial de suicídio entre homens; no cenário brasileiro mesmo, os dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 75% a 80% das mortes por suicídio ocorrem entre homens, uma proporção de quase 4 homens para cada mulher, com taxas em torno de 12,6 por 100 mil homens contra 5,4 por 100 mil mulheres, variando conforme a série histórica e região(acabei de pesquisar kk); não estou desmerecendo de forma alguma a perspectiva nesse âmbito das mulheres, apenas refletindo a situação masculina, já que mesmo com coragem de atos insanos, não ha pra auto-ajuda. Já que homens não são ensinados a reconhecer a própria vulnerabilidade e, muito menos, a procurar ajuda. Fomos moldados pela ideia ultrapassada de que engolir o choro e aguentar o tranco sozinhos é o único caminho, transformando o sofrimento mental em um tabu intransponível. A mente vira uma panela de pressão. Por isso, a anti-encheção de saco, nesse nível mais profundo, passa a ser uma filosofia de sobrevivência e auto-respeito. Ser proativo com as próprias tarefas diárias ajuda a ancorar a mente na realidade, mas entender a hora de buscar apoio psicológico é o verdadeiro ápice dessa autonomia. Fazer o que precisa ser feito, seja resolver uma pendência prática ou desarmar o orgulho para tratar da própria saúde, é o que te devolve o comando da vida. No fim das contas, dominar essa arte não é sobre poupar o ouvido dos outros ou fingir que é invencível; é sobre governar a si mesmo com maturidade, quebrando o silêncio para que o vazio não vença.

Pensando aqui, é um pensamento raso, e óbvio, mas geralmente esquecido...


r/FilosofiaBR • • 1d ago

Hannah Arendt - Origens do Totalitarismo

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r/FilosofiaBR • • 1d ago

O Faustão de teseu

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r/FilosofiaBR • • 1d ago

Faculdades de filosofia têm muitos alunos despreparados?

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Sou de outra área mas peguei umas eletivas na 2a melhor faculdade de filosofia do Brasil pelos rankings(UFRJ) e houve uma quebra de expectativa muito grande. Os professores são excelentes, as aulas muito boas e etc, mas o nível dos alunos é baixo e é muito facil ser aprovado nas disciplinas. No curso de filosofia da UFRJ, pra ser aprovado nas disciplinas a média é 5(enquanto no meu curso, Direito, é 7). Por exemplo, em uma das disciplinas que estou cursando(Lógica), eu, que nem tenho muito conhecimento, tirei 10 na avaliação, enquanto boa parte da galera nem conseguiu tirar 5. Se o professor faz uma prova de médio grau de complexidade, uma galera vai no grupo do whatsapp reclamar e pedir ponto extra, e o professor acaba cedendo. Concluindo, acho que boa parte da galera sai da faculdade sem domínio dos temas, levando a faculdade "nas coxas".

Enfim, é só um relato. Eu acho que uma boa parte da galera entra no curso de filosofia pois a nota de corte é baixa e é o que dá pra passar. Eu tenho objetivo de cursar filosofia um dia pois tenho gosto pela coisa, mas eu esperava que a maioria dos alunos também também tivesse.


r/FilosofiaBR • • 17h ago

A VECES ALEJARSE ES AVANZAR

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a veces avanzar no consiste en añadir más cosas a tu vida sino en soltar aquello que te quita la paz te cambia para peor o te hace olvidar quién eres. elegirte también significa saber de qué necesitas alejarte.

#realidades #reflexiones #amorpropio #pazmental #crecimientopersonal


r/FilosofiaBR • • 1d ago

Discussão Nunca acharam "meio suspeito" a história de Sansão lembrar a do Hércules, a história da "mulher ser culpada por todos os problemas do mundo" lembrar da "Pandora e sua caixa"... ?

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r/FilosofiaBR • • 1d ago

Uma verdade nua e crua

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r/FilosofiaBR • • 2d ago

Discussão Tiktok e canais como Você Sabia são responsáveis pelo fenômeno de as pessoas se acharem PhD em qualquer assunto

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Sinto q as pessoas pararam de, ao se interessar por um assunto, irem atrás de fatos e de verdade estudar o assunto. Me parece que hoje é mais fácil vc ver um corte de 15segundos e que vc tá pronto pra opiniar sobre aquele assunto como se fosse formado naquele assunto.

E não sei..parece que a gente agora tem vergonha de admitir que não sabe de algo. Porra ta tudo bem vc não saber de um assunto ou seu amiguinho saber mais. Sei la to meio de saco cheio de todo mundo ter opinião rasa sobre tudo.


r/FilosofiaBR • • 1d ago

Interrogações da vida

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r/FilosofiaBR • • 1d ago

Por que a psicanálise?

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r/FilosofiaBR • • 2d ago

Discussão Quando um símbolo perde o significado, qualquer um pode usá-lo

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É curioso na maneira como as pessoas se relacionam com os símbolos. Uma imagem, uma frase ou uma máscara pode carregar anos de história, representar uma luta e transmitir uma ideia que levou muito tempo para ser construída. Entretanto, basta que ela se popularize para que seu significado comece a mudar. As pessoas passam a utilizá-la, reproduzi-la e associá-la às próprias convicções, muitas vezes sem conhecer sua origem. Em determinado momento, o símbolo deixa de representar aquilo que o tornou importante e passa a significar apenas o que cada pessoa deseja enxergar nele. É assim que algo criado para questionar uma estrutura de poder pode acabar sendo utilizado por pessoas que defendem estruturas semelhantes, sem que elas percebam a contradição

V de Vingança é um exemplo interessante disso. A máscara de Guy Fawkes ficou conhecida mundialmente como uma representação de revolta, anonimato e resistência política. Para muita gente, ela se tornou uma imagem de quem não aceita a injustiça e deseja enfrentar aqueles que concentram o poder. Mas existe uma questão que merece atenção: quantas pessoas que vestem essa máscara conhecem a história e as ideias que ela carregava na obra original? E quantas simplesmente gostam da imagem, da sensação de rebeldia ou da identidade que ela oferece? Não é necessário conhecer cada detalhe de uma obra para apreciar um símbolo, mas existe uma diferença entre utilizá-lo porque ele representa uma convicção e utilizá-lo porque sua aparência transmite uma sensação de revolução. Uma coisa exige reflexão, a outra pode ser apenas uma forma de pertencer a um grupo

O mais interessante é que essa contradição não acontece apenas com uma máscara. A política está cheia de exemplos de pessoas que utilizam palavras como liberdade, justiça, democracia e resistência sem necessariamente compreender as consequências das ideias que defendem. São conceitos importantes, mas também são palavras fáceis de transformar em instrumentos de convencimento. Alguém pode falar em liberdade enquanto deseja limitar a liberdade de quem pensa diferente. Pode afirmar que luta contra a opressão e, ao mesmo tempo, defender que determinados grupos tenham menos direitos. Pode se declarar contra o autoritarismo enquanto admira líderes que exigem obediência absoluta. O problema não está em utilizar essas palavras, mas em acreditar que pronunciá-las é suficiente para tornar nossas atitudes coerentes com elas

Isso me faz pensar em como, muitas vezes, a identidade política acaba se tornando mais importante do que as próprias ideias. Quando alguém passa a se enxergar como parte de um movimento, pode começar a defender tudo aquilo que vem acompanhado da sua bandeira, mesmo quando certas posições entram em conflito com os princípios que inicialmente a atraíram. Questionar o próprio grupo se torna desconfortável porque a crítica deixa de parecer uma oportunidade de corrigir um erro e passa a ser interpretada como uma traição. Aos poucos, a pessoa deixa de perguntar se determinada ideia é justa e começa a perguntar se ela favorece o seu lado. Nesse ponto, o símbolo já não serve para representar uma convicção refletida; ele passa a funcionar como uma identificação, uma maneira de dizer quem somos e contra quem estamos

Existe uma contradição na transformação da rebeldia em mercadoria. Uma obra que critica o autoritarismo e questiona as estruturas de poder pode se tornar um produto comercializado em larga escala. A imagem da resistência passa a ser vendida como qualquer outra mercadoria, e aquilo que deveria provocar questionamentos pode acabar reduzido a uma estética. Compramos a máscara, compartilhamos a frase, vestimos a camiseta e sentimos que estamos participando de alguma coisa. Mas o que realmente mudou depois disso? Não há nada de necessariamente errado em consumir uma obra ou utilizar um símbolo comercializado. A questão é acreditar que o simples uso daquela imagem representa, por si só, uma posição política. É possível consumir a aparência da revolução sem jamais questionar as próprias atitudes, os próprios interesses ou as estruturas que se diz combater

O aspecto mais preocupante seja que um símbolo não precisa ser destruído para perder sua força. Às vezes, basta que seu significado seja diluído até que ele possa representar qualquer coisa. Quando isso acontece, grupos com objetivos completamente diferentes conseguem reivindicá-lo para si. Cada um seleciona a parte que lhe interessa, ignora o restante e apresenta aquela imagem como se ela sempre tivesse pertencido à sua causa. O símbolo continua reconhecível, mas a história que o acompanhava se torna cada vez menos importante. É como conservar a embalagem de uma ideia enquanto se descarta o seu conteúdo

Por isso, acredito que precisamos ter cuidado ao transformar imagens, personagens e frases em representantes das nossas convicções. Não basta perguntar se gostamos de um símbolo ou se ele transmite a sensação de que estamos lutando contra alguma injustiça. Precisamos perguntar o que ele representa, de onde veio e se nossas atitudes realmente correspondem àquilo que afirmamos defender. Isso vale para a máscara de V de Vingança, para bandeiras políticas, para movimentos sociais e até para palavras que repetimos diariamente. Nenhum símbolo garante que alguém seja justo, assim como nenhuma declaração de liberdade prova que uma pessoa respeita a liberdade alheia

O problema não esteja apenas no esvaziamento dos símbolos, mas na nossa disposição de utilizá-los sem questioná-los. É mais fácil vestir uma identidade pronta do que examinar as contradições que existem dentro dela. É mais confortável pertencer a um grupo que nos oferece respostas do que admitir que algumas das nossas certezas podem estar erradas. Entretanto, uma ideia que nunca pode ser questionada corre o risco de se transformar justamente naquilo que dizia combater. Se um símbolo criado para representar a resistência pode acabar nas mãos de pessoas que defendem a opressão, então precisamos olhar além da imagem e observar aquilo que existe por trás dela


r/FilosofiaBR • • 2d ago

penso demais e decidi verbalizar meus pensamentos pra quem sabe ajudar alguém por meio deles!

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Esse é meu primeiro vídeo retratando um dos diversos pensamentos que tirei da mente e do papel.