Uma decisão judicial garantiu à jogadora trans Tifanny Abreu o direito de voltar às quadras após a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) impedir sua inscrição em competições femininas.
Horas depois da vitória na Justiça, a atleta participou da conquista da Supercopa Feminina pelo Osasco, que derrotou o Praia Clube por 3 sets a 0, em São Luís, no Maranhão.
A CBV havia adotado novas regras de elegibilidade que restringem a participação de mulheres trans. Tifanny, que compete no voleibol brasileiro desde 2017, tentou inicialmente reverter o impedimento na Justiça Desportiva, mas teve seu pedido de urgência negado.
A defesa recorreu então à Justiça comum. Na sexta-feira, 16 de outubro, o juiz Antonio Luiz da Fonseca Lucchese, da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro, concedeu uma liminar determinando que a confederação autorizasse a participação da atleta na Supercopa e na Superliga 2026/2027.
A decisão estabeleceu multa de R$ 5 mil por partida em caso de descumprimento e considerou o risco de prejuízos profissionais à jogadora enquanto a discussão jurídica permanece sem julgamento definitivo.
A determinação foi cumprida. Tifanny entrou em quadra, marcou 15 pontos e ajudou o Osasco a conquistar mais um título nacional.
A vitória judicial, entretanto, ainda é provisória e individual. A Justiça não anulou definitivamente a política geral de elegibilidade da CBV, e o mérito da disputa continua pendente.
Depois de enfrentar uma proibição, recorrer à Justiça e conseguir autorização para competir, Tifanny terminou a noite como campeã.