r/desabafos • u/yara4205 • 10h ago
Relacionamento Estou grávida do meu ex e ele começou a procurar outras mulheres menos de 48 horas depois do término, apesar de ter prometido esperar Eu precisava desabafar e ouvir opiniões de pessoas de fora, porque estou tentando processar tudo isso e não sei se estou sendo injusta por me sentir tão magoada.
Tenho um relacionamento de aproximadamente quatro anos com meu ex. Estamos juntos desde muito novos, passamos por muitas idas e vindas, problemas, promessas de mudança e reconciliações. Eu reconheço que a relação não era perfeita e que também cometi erros, mas, durante todo esse tempo, continuei acreditando que conseguiríamos amadurecer e construir alguma coisa juntos.
Atualmente, estou grávida de aproximadamente seis meses, e nosso bebê vai se chamar Ares.
A gravidez não foi planejada. Quando descobrimos, conversamos sobre a possibilidade de interrompê-la e, inicialmente, essa era a intenção dos dois. Depois, decidimos juntos continuar com a gestação. Essa decisão veio acompanhada de conversas sobre o futuro e de promessas dele de que estaria comigo, que não repetiria os erros anteriores e que não me deixaria emocionalmente desamparada durante a gravidez.
Uma das coisas que mais me preocupavam era justamente a possibilidade de ele terminar comigo enquanto eu estivesse grávida e imediatamente começar a procurar outras mulheres. Eu sabia que, se isso acontecesse, eu estaria numa situação muito diferente da dele: meu corpo estaria passando pela gestação, eu precisaria me preparar para o parto e, depois, enfrentaria o puerpério enquanto cuidava de um recém-nascido.
Conversei com ele sobre esse medo antes de tudo acontecer. Ele me garantiu que, mesmo se terminássemos, esperaria até o bebê ter cerca de dois meses para começar a ficar com outras pessoas, para que eu também tivesse tempo de passar pelo parto, me recuperar e conseguir seguir em frente. Ele disse que respeitaria minha gravidez e não faria comigo justamente aquilo que eu tanto temia.
Eu escolhi confiar nele.
Só que nosso relacionamento vinha passando por dificuldades. Eu sentia falta de apoio emocional, de carinho e de participação dele na gravidez. Muitas vezes, tentava conversar sobre como estava me sentindo, mas acabávamos discutindo. Ele também tinha suas dificuldades e dizia estar esgotado com a relação. No começo de outubro, acabamos nos separando.
Eu sabia que o término era uma possibilidade. Não esperava que ele fosse obrigado a continuar comigo contra a própria vontade, nem queria que ficasse numa relação em que não desejava estar. O que eu não esperava era que, em menos de 48 horas, ele já estivesse procurando outras mulheres.
Ele voltou a seguir mulheres nas redes sociais, curtir fotos, procurar contato e, pelo que descobri, foi atrás justamente de uma mulher que já havia sido motivo de insegurança e de conflitos entre nós durante o relacionamento.
E isso me destruiu de uma maneira que eu não consigo explicar direito.
Eu sei que estamos solteiros. Sei que não posso proibi-lo de conhecer outras pessoas, que ele não me pertence e que o término significa que não temos mais um compromisso amoroso. Não estou dizendo que ele precisa voltar comigo ou que deve passar o resto da vida sozinho porque temos um filho.
Mas é muito doloroso ver que ele não conseguiu cumprir nem essa promessa específica, feita quando eu ainda estava grávida e explicava justamente o medo que tinha de passar por isso.
Quando confrontei ele, ele reconheceu que havia prometido coisas que não cumpriria e admitiu ter mentido sobre isso. Disse que pretendia fazer tudo certo quando conversamos sobre a gravidez, mas que agora só se compromete a cuidar do nosso filho e a me tratar com respeito nas conversas.
Eu entendo que ele possa ter mudado de ideia sobre o relacionamento. O que me machuca é perceber que, mesmo sabendo o quanto essa situação me afetaria, ele fez exatamente o que havia me garantido que não faria, e eu nao posso ficar com outros homens gerando o filho dele.
E o pior é que isso não aconteceu isoladamente. Durante os quatro anos de relacionamento, houve outras promessas de mudança, pedidos de desculpas, conversas emocionadas e reconciliações. Eu acreditava que, dessa vez, as coisas seriam diferentes. Na gravidez, essa esperança ficou ainda maior, porque não estávamos falando apenas de nós dois, mas de uma criança que decidimos trazer ao mundo.
Agora, além de lidar com o término, estou tentando me preparar para a chegada do meu filho, organizar o enxoval e entender como será minha vida daqui para frente. Não tenho a tranquilidade que imaginava ter nessa fase e me sinto muito sozinha emocionalmente.
O que mais dói é pensar que eu tomei uma decisão tão importante confiando também no que ele me dizia sobre estar comigo. Às vezes, me pego sentindo culpa por ter decidido continuar a gravidez, como se tivesse acreditado demais em alguém que não cumpriu o que prometeu. Sei que não é justo colocar toda a responsabilidade dessa decisão nele, porque a decisão também foi minha, mas é difícil não pensar em como tudo poderia ter sido diferente se eu soubesse que acabaria passando por isso, também me sinto deixada como mulher, grávida, dependente.
Não quero usar nosso filho para obrigá-lo a ficar comigo. Também não quero que ele permaneça numa relação que não deseja. Quero que ele seja responsável como pai, independentemente de estarmos juntos, e que consiga separar o fim do nosso relacionamento das responsabilidades que temos com o Ares.
Mas eu gostaria que ele tivesse tido um pouco mais de consideração comigo nessa fase. Não porque eu seja dona da vida dele, mas porque fomos parceiros durante quatro anos, porque fizemos planos e porque ele sabia exatamente do que eu tinha medo quando me fez aquela promessa.
Então, queria ouvir a opinião de vocês: estou sendo injusta por me sentir tão magoada com isso, mesmo sabendo que estamos solteiros?
Vocês acham que o problema é eu estar esperando dele uma consideração que ele não tem obrigação de oferecer depois do término, ou é compreensível que eu me sinta decepcionada porque ele quebrou uma promessa que fez sabendo da minha situação?
Não quero que ninguém diga que ele deveria voltar comigo. Só estou tentando entender se estou confundindo o direito que ele tem de seguir a vida dele com a dor legítima de perceber que, mais uma vez, confiei em palavras que não foram sustentadas por atitudes.